Friday, September 27, 2019

LightBox: Como fazer uma


Um dos frames que compõe o processamento de imagens astrofotográficas são os FLAT FRAMES. Esses frames são utilizados para reduzir os efeitos negativos causados pela vinheta e partículas de poeira/sujeira na ótica.
Existem muitas formas de se obter os FLAT FRAMES, eu particularmente tirava os meus apontando o telescópio para o céu, logo nos primeiros minutos de luz da manhã. Funciona muito bem, mas tem dois problemas ai: o céu deve estar sem nuvens e você tem que ficar acordado para fazer os frames bem cedo.
Uma opção interessante é carregar consigo uma LightBox, que nada mais é que uma fonte de luz branca uniforma para tirar seus FLAT FRAMES. Nesse post vou explicar como fazer uma para um OTA 200mm , idéia que o amigo Renato deu no EBA 2019!.

Você vai precisar de:

  • Painel de LED de luz branca, com difusor, redondo e pouco maior que a abertura do seu OTA.
  • Pano branco, pode ser uns 50x50cm
  • Espuma com aproximadamente 2cm de espessura
  • Dremel
  • Fio elétrico com plugue
  • Cola superBonder
  • Fita isolante


Vamos ao passo-a-passo:


Utilize o Dremel para retirar as estruturas do painel de LED de forma que encaixe no OTA. Tenha certeza de que a ótica do OTA esteja completamente coberta pela pelo difusor de LED, queremos que toda a abertura do OTA seja iluminada pelo difusor.
Retire os parafusos que prendem o LED na estrutura circular e retire o difusor. Utilize o formato do difusor para recortar umas duas peças em formato circular de pano branco.
Coloque as duas peças de pano e o difusor de volta, prenda os parafusos e inverta o painel de LED. Deixe a parte que vai emitir luz para dentro da estrutura circular. Essa parte do LightBox estará encaixada no OTA.
Agora cole uma tira da espuma na parte interna da estrutura redonda do painel. Essa espuma permitira um encaixe firme no OTA.


Para finalizar use a fita isolante para prender o fio com plugue no painel de LED. Pronto! sua LightBox está pronta.



Testando o LightBox:

Faça alguns empilhamentos usando o FLATs do LightBox e verifique se sinais não foram perdidos nas imagens. Verifique como está o histograma, se ficar muito a direita você vai precisar usar mais panos. Procure deixar o histograma mais centralizado.




Sunday, September 1, 2019

Processando uma galáxia com DeepSkyStacker + Photoshop

Buenas! Hoje publico um vídeo mostrando que mesmo um processamento simples pode realçar toda a beleza de uma galáxia!


Tuesday, August 6, 2019

NGC 1365 - Processamento

Utilizei PixInsight dessa vez para processar minha captura da NGC 1365. Tentei seguir o passos do tutorial do Rafael Compassi do canal AstroFoto. Ë simples mas da um bom resultado, para uma primeira vez com PixInsight fiquei satisfeito





As ferramentas utilizadas foram:
  • ScreenTransformationFunctions
  • DynamicCrop
  • DynamicBackgroundExtraction
  • BackgroundNeutralization
  • PhotometricColorCalibration
  • HistogramTransformation
  • ACDNR
  • SCNR
  • ColorSaturation

Monday, August 5, 2019

EBA - Encontro Brasileiro de Astrofotografia, Missão cumprida!

Longas horas sem dormir observando o céu e o aguardado dia havia chegado. Não só porque eu teria que dar um jeito de capturar meu objeto de céu profundo desejado, mas também porque o colega Sidney havia prometido fazer aquele costelão gaúcho no almoço. Sem dormir na noite anterior fui até a cozinha tomar meu café da manhã e lá estava ela!


Almoçamos depois de assada por unas 8hrs! Estava espetacular!
Os dois primeiros dias de EBA serviram para corrigir problemas e testar possibilidades de capturas. Sendo assim pude aproveitar poucos frames das noites anteriores, mas o equipamento estava quase 100%. Na última noite resolvi checar a colimação dos espelhos do SCT, já que na última captura de Helix ficou claro que haviam alguns problemas. Refiz a colimação mais uma vez com a ajuda do meu amigo do fundão Renato. Como o céu estava muito ruim, usamos uma luz um pouco difusa no horizonte, mas funcionou bem!
Tudo contornado, porém ainda não tinha cumprido minha missão de capturar uma galáxia 😩. O Céu não ajudou muito durante esses três dias e os alvos que eu havia planejado, na maioria das vezes já estavam muito baixos no horizonte para serem capturados quando as nuvens davam uma trégua. Lembrei que na tarde do dia anterior, um colega me apresentou uma galáxia em espiral (NGC 1365) e que estava disponível das 2 da madrugada até o nascer do sol. Pronto! era minha última chance de capturar minha galáxia.

Dessa vez resolvi fazer como manda o figurino, me planejei para tirar os tipos de frames necessários para ter uma boa amostra dessa galáxia. Um pequeno problema aconteceu durante a captura, a bateria da 6D acabou! E como eu tava dentro do carro pra fugir do frio, fiquei algum tempo sem capturar frames.Troquei bateria e pude continuar o processo.
Foram um pouco mais de 3 horas de captura empilhadas e sem processamento.

  • Lights : 38 x 300s ISO 1600
  • Darks: 10 x 300s ISO 1600
  • Flats: 10 ISO 1600
  • Bias: 10 ISO 1600


NGC 1365 é uma galáxia espiral barrada localizada na direcção da constelação de Fornax.  Ela tem cerca de 200 mil anos-luz de diâmetro. Localizada a cerca de 60 milhões de anos-luz de distância da Terra. No seu centro habita um buraco negro supermassivo de 2 milhões de massas solares. Essa estrutura curvada se dá pelo fato de que objetos orbitam o núcleo da galáxia em tempos distintos. Um giro completo é estimado em 350 milhões de anos.

Lições aprendidas:

  • EBA é um evento fantástico. Além de aprender muito você fará novas e boas amizades
  • Quando for colimar um SCT sempre volte o ponto luminoso para o centro da FOV entre um ajuste e outro.
  • Aprenda o Plate Solve, torna a noite muito mais produtiva
  • Procure ter um adaptador AC para sua câmera DSLR, vai evitar frustações com as baterias.
  • Mantenha o foco no objetivo! Persistência!




Sunday, August 4, 2019

EBA - Encontro Brasileiro de Astrofotografia, Segunda Noite

Iniciei a segunda noite com uma novidade no meu equipamento. Coloquei um filtro que isola efetivamente emissão H-Alpha, H-Beta e Oxygen II, mas ele me trouxe mais problemas durante a noite. O Plate Solve não estava funcionando corretamente, provavelmente pela aparente redução de estrelas no campo de visão e o foco estava difícil de ser alcançado. Acabei perdendo muito tempo tentando resolver esses problemas e por fim retirei o filtro. Utilizei a estrela Vega para refazer o foco. Precisei ainda melhorar meu alinhamento polar, utilizei o posicionamento relativo da montagem equatorial de um colega com a estrela polar sul, utilizamos um laser para isso. O novo alinhamento polar caiu de 4'' para 1''.



Mais uma vez o céu ficou nublado até por volta das 2 horas da manhã, tinha restando então pouco mais de duas horas para procurar um bom alvo. Dessa vez o objeto escolhido foi a nebulosa planetária NGC 7293. Foram um pouco mais de 2 horas de exposição com diferentes ISOs e tempos. Por hora sem darks, flats e bias.


Nebulosa Hélix, também conhecida como Nebulosa da Hélice ou Olho de Deus. A Hélix ou NGC 7293 é uma nebulosa planetária localizada na constelação de Aquarius e distante da Terra 700 anos-luz. Sua origem se dá há alguns milhares de anos atrás causada por uma estrela semelhante ao sol em fase final de sua vida.



Saturday, August 3, 2019

EBA - Encontro Brasileiro de Astrofotografia, Primeira Noite

Esse ano tive o prazer de aprender com os colegas de astrofotografia no EBA 2019. Esse evento tão aguardado ocorre uma única vez no ano nos arredores de Brasilia, durante uma semana inteira (muitos gostam tanto de chegam antes e só vão embora depois 👀). Quem frequenta esse evento tem a possibilidade de compartilhar experiências e conviver com astrofotógrafos de todo o Brasil e até do exterior. E mais uma vez para mim foi um intensivo de aprendizagem.
Nessa primeira parte do post, vamos falar um pouco sobre a primeira noite no EBA, que como de costume é quase sempre cheia de problemas e perrengues.
Cheguei no período da tarde no local do evento, uma fazenda de um colega do Clube de Astronomia de Brasília, que me recebeu muito bem e logo fui para o local onde os equipamentos estavam sendo montados para descarregar meu setup.


Consegui finalizar tudo ainda com a luz do sol para me ajudar. E ai começaram os problemas!
Tive problemas de alinhamento polar, colimação do C8, foco da câmera primaria e foco da guiagem!
Nessa primeira noite consegui ajustar razoavelmente todos eles com a ajuda do colega Renato Souza (que também me ajudou com Plate Solve, vou escrever sobre isso em um outro post).
O alinhamento polar ficou ruim, a guiagem com erro de 4'' não ajudou em nada os frames de longa exposição. Consegui com certo custo apenas frames de 120 segundos. A colimação do SCT fizemos na madrugada, levou um tempão. Diria que ficou uns 95%. 

Resolvido parcialmente esses problemas, lá pelas 1:30 da manhã comecei as capturas. Aliás tentei,pois o céu ficou nublado! Ai é hora de andar pela plantação de telescópios e dar risada com os amigos.
Meu objetivo principal era capturar pequenas galáxias, mas aquelas que eu tinha mapeado já estavam baixas no horizonte e achei melhor tentar objetos mais brilhantes. O alvo mudou para a Nebulosa Trifida (Messier 20), vizinha da Nebulosa da Lagoa (Messier 8).
Nessa hora que o colega Renato me ajudou muito, conseguimos configurar o APT para fazer Plate Solve, já que com o BackyardEOS com Astrotortilla não estava tendo sucesso.


Com todos os perrengues consegui salvar apenas 3 frames de 120 segundos a ISO 1600 da M20, que foram empilhados


A Nebulosa Trífida (Messier 20, NGC 6514) é uma região HII, ou seja uma região composta de gás estelar e poeira onde recentemente, em termos astronômicos, começou formar novas estrelas. Está localizada na constelação de Sagitário e seu nome significa "dividido em três lóbulos". O objeto é uma combinação incomum de um aglomerado aberto de estrelas, uma nebulosa de emissão (a parte inferior, vermelho), uma nebulosa de reflexão (a parte superior azul) e uma nebulosa escura (aparentes "lacunas" na nebulosa de emissão, que causam a aparência trifurcarda).
A Nebulosa Trífida é um objeto brilhante e colorido. Situa-se aproximadamente 5.200 anos-luz em relação à Terra.

Friday, July 19, 2019

A Lua

foto. 1/800s ISO 800, Canon t5i, C8

O que podemos aprender com uma pequenina criança de 2 anos? O suficiente para ser feliz! Que as novas possibilidades estão a nossa volta! É apenas uma questão de percebe-las.
Com a sabedoria de uma criança e uma capacidade única de perceber o mundo, ele me fez notar o belo, o que sempre esteve ali a vida toda e então passara despercebida. A Lua.
Eu precisava traze-la mais pertinho dele, instigar ainda mais sua imaginação, aguçar ainda mais sua percepção de mundo. Espero poder lhe trazer tudo aquilo que sonhar, e abrir o caminho para que vá ainda mais longe!
Grato por você ter me propiciado um universo de novas e boas experiências por meio da astrofotografia
O início!

Obrigado filho,
Te amo
Pai

Tuesday, July 16, 2019

Planejando uma viagem para Astrofografia


Planejamento em qualquer viagem que vamos fazer é fundamental, seja a trabalho ou a turismo. Pelo menos para mim que gosto de minimizar os riscos 😉.Portanto não seria diferente para a astrofotografia. nesse post pretendo compartilhar com vocês alguns aspectos que acho relevantes no momento de planejar uma viagem.

Escolha da região


A poluição luminosa (PL) atrapalha muito os astrofotógrafos de céu profundo, você pode minimizar o impacto da PL utilizando determinados acessórios mas eu não recomendaria depender deles para planejar sua viagem. Portanto escolher uma região com pouco PL é fundamental, para isso sugiro utilizar o site Light Pollution Map, uma espécie de Google Maps com informações sobre poluição luminosa. 


Procure então por uma região longe dos locais de grande luminosidade, campings e/ou hotéis fazenda mais afastados das cidades podem ser uma boa opção.

Escolha do local


Escolhida a região agora precisamos tentar saber se aquele camping/hotel fazenda vai nos servir. Já passei por alguns lugares que o terreno era muito inclinado, dentro de vales, vista parcial do céu, etc.  Esse item do planejamento talvez seja o mais difícil de ter sucesso. O que geralmente faço é entrar em contato com o local para fazer a reserva e explico minhas necessidades. Além disso o Google também pode nos ajudar com imagens do local.
Procure saber se você conseguirá chegar de carro no local de montagem do equipamento e o quão difícil pode ser chegar até ele. Lembre-se que você pode estar levando uns 50Kg ou mais, além de muitos cases e caixas.

Dica: Procure saber se existe algum grupo ou clube de astronomia na sua região. Tente um contato perguntando por locais onde costumam se reunir. Vai ajudar bastante. Aqui em Brasília temos o Clube de Astronomia de Brasília (CASB)

Escolha da data


Tenho costume de me programar usando a versão para celular do site AccuWeather.com, isso porque além dele dar a previsão do tempo, cobertura de nuvens, hora do por do sol, temperatura, etc. Ele ainda nos dá uma ideia qualitativa e quantitativa de como estará o céu para observar as estrelas.



Outro fator importante é a fase da Lua. Se planeje para os dias de Lua Nova. A luz da Lua atrapalha demais os registros de céu profundo.

Escolha dos alvos


Escolher os alvos mais adequados para o seu tipo de equipamento e período do ano vai maximizar sua chance de sucesso. Alguns objetos celestiais estão disponíveis a noite toda, outros apenas no início ou fim da noite. Dê preferência para aqueles que te darão mais tempo de captura e uma janela maior de trabalho. Pode ser que ao finalizar toda a montagem do seu equipamento e acampamento, o objeto já esteja indo embora próximo ao horizonte.
Você pode usar alguns softwares como o Stellarium e Sky Map para Android que irão te ajudar nesse planejamento.

Sky Map

Outro aspecto importante é o tamanho aparente do objeto que você quer registrar em relação ao seu campo de visão (FOV). Tenha certeza de que o objeto caberá no seu campo de visão e para isso você pode usar um site chamado Astronomy Tools

Objeto dentro do campo de visão


Objeto fora do campo de visão


Faça uma anotação de alguns possíveis alvos e leve com você. Com certeza ele terá uma nomenclatura em algum catálogo de objetos de céu profundo, anote. Sugiro ainda identificar algumas estrelas brilhantes previamente, que fiquem próximas aos alvos, vai ajudar depois no alinhamento da montagem equatorial.

Equipamentos & Aplicativos


Sugiro fazer uma limpeza no equipamento antes da viagem, principalmente nos elementos ópticos.
Abaixo um checklist de tudo que costumo levar para as minhas viagens
  • Tripé
  • Montagem & Contrapesos
  • OTA
  • Guide Scope
  • Câmera principal
  • Anel e adaptador T para câmera.
  • VisualBack
  • Buscadora
  • Câmera de guiagem
  • Oculares, Redutores focais e Barlows
  • Cabos
  • Notebook & Aplicativos 
    • (BackyardEOS, DeepSkyStacker, PHD2, Astrotortilla, etc - Tenha certeza que tudo está funcionando, drivers estão instalados, Sistema operacional funcionando corretamente)
    • Ainda sobre os aplicativo, tente configura-los o máximo possível antes da viagem. Alguns precisam de informações como tamanho do FOV, Pixel size, distância focal, etc.
  • Laternas (luz branca e vermelha)
  • Dew Shield
  • DewHeaters para OTA e Guide Scope
  • Lona para colocar no chão (Prenda bem ao chão, um vento forte pode derrubar seu equipamento)
  • Mesa
  • Cadeira/Banco
  • Manta térmica para cobrir o equipamento
  • Inclinômetro para nivelar o tripé da montagem
  • Bussola (se possível com offset)
  • Baterias para notebook e montagem (lembre de carrega-las)
  • Carregador de baterias
  • Inversor de energia
  • Estabilizador de energia
  • Extensão elétrica
  • Multiplicador e/ou adaptadores de tomadas
  • Ferramentas. Costumo levar chaves philips, fenda, allen, torx. São os tipos de parafusos que identifiquei no meu equipamento.
Bastante coisa! E muito pouco portátil, sei bem!. Você pode resolver tirar isso ou aquilo e tornar seu setup mais portátil e fácil de carregar.


Roupas & Acessórios


Planejando sua viagem você saberá que tipo de roupa levar. No período que temos na região para a astrofotografia costuma fazer um certo frio durante a madrugada. É bom estar preparado para passar por sensações térmicas baixas. Ah leve um repelente!
Se você for ficar em barraca lembre-se que vai trocar o dia pela noite. Quando o sol estiver rachando no céu você vai querer dormir, portanto procure um local fresco para tirar um cochilo na barraca durante o dia. Se quiser investir, dê uma olhada nas barracas blackout e com proteção UV.

Comida


Quando o local oferece comida é ótimo! Mas nem sempre isso acontece, portanto levar comidas de preparo rápido e prático é importante. Além disso algo para beliscar durante a madrugada também ajuda muito.
  • Macarrão instantâneo
  • Frutas
  • Bolachas/Biscoitos
  • Água
  • Chá/Café
  • Suco
Dica: leve uma resistência 12v para usar no cinzeiro do seu carro e ferver a água, uma caneca e uma pequena panela. Assim você poderá fazer todas as suas refeições in loco. Ajuda se o local escolhido para a montagem do equipamento ficar distante.

É isso! Tenha uma boa viagem e bons céus!

Dica (Locais na região):
Hotel Fazenda Araras (próximo a formosa)
Camping PachaMama (chapada dos veadeiros)
Pousada dos anões (chapada dos veadeiros)

Saturday, July 13, 2019

Dew Shield - Dica de como fazer um



Todos sabemos que qualquer luz parasita e orvalho podem estragar por completo um frame de céu profundo e as vezes nos encontramos em locais próximos a faróis de carro, luzes de poste ou até mesmo luz de lanterna.  Esse tipo de situação incomoda um astrofotógrafo e pode arruinar uma viagem dedicada a captura de DSOs.
Para minimizar esse problema podemos lançar mão de um Dew Shield.
Achar algo tão simples como um Dew Shield no Brasil pode ser uma tarefa difícil, uma minoria tem sorte de achar um a venda em fóruns de equipamentos usados de astronomia, a maioria terá de importar. Esse tipo de acessório para um OTA como o meu chegará com um custo girando por volta de R$300,00 com frete e taxa de importação. Pior pode ser aguardar a entrega em casa.
Podemos resolver esse problema mais rapidamente e com um custo bem inferior, você pode fazer seu Dew Shield gastando por volta de R$50,00. 
Você só vai precisar de:
  • Chapa de poliestireno preto sem brilho de 1mm de espessura. A largura e comprimento vai depender da abertura do seu OTA. No meu caso comprei uma de 1m de comprimento e 30cm de largura (usei como referência as medidas de alguns produtos vendidos no exterior).
  • Velcro. Comprei 60cm de um velcro mais largo
  • Cola (super bonder)

A chapa de poliestireno você pode encontrar facilmente na internet, já sob medida. A montagem é simples, basta colar algumas tiras do velcro de um dado e do outro da chapa como na foto.

Pronto! seu Dew Shield caseiro está feito, prático, barato e já pode ser usado. Sugiro colar algumas tiras de velcro para que você possa adaptar ao diâmetro do OTA mesmo com uma Dew heater.



Uma dica que talvez seja útil para alguns é colar uma tira de velcro em todo o comprimento interno do Dew Shield para melhor encaixar no OTA, se você achar pode escorregar durante a noite. No meu caso esse material na extremidade do tubo, próximo a lente corretora é áspero e prende bem o Dew Shield mesmo em noites com muito orvalho.

Tuesday, July 9, 2019

Chapada dos Veadeiros - Primeiro DSO a gente nunca esquece!

Hoje vou contar um pouco sobre como consegui meu primeiro frame de um objeto de céu profundo. Esse momento memorável foi registrado na Chapada dos Veadeiros - GO em julho de 2019. Sai de Brasília rumo ao Camping PachaMama, e aqui faço um parênteses para agradecer toda a hospitalidade dos donos do camping, com meu "astromóvel" sempre pronto para as minhas aventuras astronômicas pelo cerrado.
Chegando em Alto Paraíso - GO, peguei a estrada para uma outra cidadezinha bem conhecida na chapada que se chama São Jorge. O camping fica situado entre essas duas cidades e ao pé do famoso Morro da Baleia, formação inconfundível na região.


Ao chegar no camping, observei o lugar e o céu para achar o melhor lugar para montar todo o equipamento. Lugar escolhido, foi hora de retirar tudo do carro e começar a organizar tudo antes da luz do dia ir embora. Uma coisa curiosa aconteceu enquanto eu tentava posicionar minha montagem equatorial para o polo sul, minha bússola não conseguia obter uma orientação dos polos magnéticos. Achei curioso aquilo e fui comentar com a Kelly (dona do camping), ela então me disse que isso acontecia mesmo e que acreditava ser resultado da grande concentração de cristais no solo da região.
Bom, sem a bússola tive que partir para o método visual observando o deslocamento do sol no céu durante um período constatei que o norte ficara próximo ao meio do Morro da Baleia. Pronto! tripé da montagem alinhada para o sul!

Todo o equipamento montado até o final do dia e aproveitei para descansar um pouco e comer aquele macarrão instantâneo 👌
O "seeing" do céu variou muito durante as duas noites que passei por lá, em certos momentos nuvens densas tomavam quase todo o céu e impedia qualquer astrofotografia. Iniciei os trabalhos com uma câmera Canon T5i e lente 18-55mm fixada em tripé para tentar registrar a via láctea próximo a constelação de sagitário.


Próximo as duas da manhã deixei a câmera e me voltei para o telescópio. O objetivo era conseguir fazer o alinhamento polar e deixar tudo pronto para a noite seguinte. Já as quatro da manhã consegui fazer um alinhamento polar aceitável usando o método drift do PhD2. Em alguns momentos tentei utilizar um método chamado de Polar Iterate Align da própria montagem CEM60, mas sem muito sucesso. Igualmente sem sucesso tentei Drift posicionando o eixo de ascensão reta paralelo ao chão e eixo de declinação perpendicular ao RA apontando o OTA para zênite. Nesse caso por algum motivo que ainda não sei, o start trail não aumentavam e nem diminuíam com os ajustes no azimute nem na latitude. Quando descobrir o que eu estava fazendo de errado vou postar aqui!.

(foto por Rodrigo Faria)

Durante esse processo notei que teria problemas sérios com o orvalho na madrugada e eu só tinha uma dew heater para o C8, que nessa ocasião estava no meu telescópio de guiagem. Alnihamento pronto, OTA e guide com orvalho e o cansaço chegando resolvi ir para a barraca.
Sem muito sucesso também para descansar, acordei por volta das 7 da manhã com os outros hóspedes do camping indo para as trilhas e cachoeiras da região. Naquele momento lembro de olhar para o céu e perceber que a quantidade de nuvens havia aumentado. Nuvens que logo no inicio da tarde trouxeram chuva! Isso mesmo! chuva na chapada dos veadeiros em pleno período de seca no cerrado.
Com a chuva no horizonte ao sul chegando, tive que sair correndo e desmontar tudo! sim, perdi tudo que eu havia feito na noite anterior! Mas paciência, astrofotografia é assim mesmo.

Para a felicidade de todos a chuva foi embora e com elas as nuvens também se dissiparam durante a madrugada, trazendo aquele céu privilegiado da Chapada dos Veadeiros!

(foto por Rodrigo Faria)

Logo no inicio da noite, com o camping cheio, algumas pessoas de aproximaram e fizemos ali uma sessão de observação, puderam ver as crateras da Lua, Saturno e Júpiter. Passada a sessão, me voltei para fazer um novo alinhamento polar e ajustar novamente o foco que foi perdido para o uso das oculares Por volta de 1 da madrugada estava tudo pronto para tentar minha primeira captura de um objeto de céu profundo. Fiz uma primeira tentativa com M83 mas não tive muito sucesso e como ela já estava próxima ao horizonte, resolvi tentar M8 (Nebulosa da Lagoa) que estava bem no zênite.
Para tentar localiza-la no campo de visão de C8 fiz um alinhamento da montagem com Júpiter que estava passando próximo e fiz um goto para M8.
Iniciei um frame de 60s ISO 3200 com a Canon 6D II e fiquei aguardando e para a minha surpresa voila!! La estava estava ela no canto superior direito do campo de visão, tirei mais alguns frames de 60 e 120 segundos para empilhamento, totalizando 50 minutos de exposição.


A Nebulosa Laguna (Messier 8, NGC 6523) é uma gigantesca nuvem interestelar na constelação de Sagitário. É classificada como uma nebulosa de emissão, cujos gases ionizados, principalmente hidrogênio, emitem radiação principalmente no comprimento de onda na faixa da luz visível vermelha. Tem magnitude aparente 6,0 e situa-se a 4 850 anos-luz em relação à Terra 

Lições aprendidas:


  • Um bom alinhamento polar pode demorar horas, portanto tenha paciência! Se planeje se possível para fazer a aquisição das frames na noite seguinte.
  • Alinhe sua montagem com uma estrela ou planeta que esteja o mais próximo possível do seu alvo. Em uma região celestial próxima.
  • Leve ferramentas! meu adaptador T se soltou do anel da câmera e meu parafuso de ajuste de latitude também! Isso durante a madrugada, se eu não tivesse as ferramentas corretas teria viajado mais de 200km pra nada!
  • Tenha um dew heater para o OTA e para o guide scope.
  • Tenha um dew shield para o seu OTA, no meu caso a estrada estava próxima e sempre passavam carros. Vai ajudar a não captar luzes parasitas
  • Se possível ajuste o FOV do OTA, Guide, Buscadora durante o dia em um ponto distante. Vai ajudar durante a busca do seu alvo a noite.
  • Também faça um ajuste do seu foco durante o dia em algum ponto distante no horizonte. Vai ajudar a localizar estrelas no céu para fazer ajustes mais finos.
  • Se possível leve baterias para a montagem e notebook. Nem sempre o melhor lugar que você for escolher para montar seu equipamento terá uma tomada/extensão.
  • Exercite sua paciência! Muitas coisas que não podemos controlar vão acontecer!
  • Não conseguir seu frame desejado não significa fracasso, você vai perceber que está constantemente aprendendo! Astrofotografia mais do que uma arte, é ciência! Uma hora ele virá!

Novidades para a próxima temporada e as razões

Enquanto a chuva predomina por aqui na região resolvi avaliar a possibilidade de melhorias no equipamento para a próxima temporada em 2021. ...