Sunday, November 1, 2020

Novidades para a próxima temporada e as razões

Enquanto a chuva predomina por aqui na região resolvi avaliar a possibilidade de melhorias no equipamento para a próxima temporada em 2021. Mas antes de determinar equipamentos e especificações, preciso identificar parâmetros que devem ser melhorados. Outro ponto importante no meu caso é que parte dos equipamentos é compartilhado com dois OTAs bem distintos (apo 80mm e SCT C8), que uso para fotografia de céu profundo e planetária respectivamente.

Os parâmetros que decidi usar para pensar na melhoria dos equipamentos são:

  • Escala da imagem/Resolução arcsec/pixel
  • FWHN
  • Ruído da câmera
  • Excentricidade das estrelas
  • Velocidade da captura para planetária

Bom, dito isso vamos avaliar baseado nas capturas feitas nesse ano:

Primeiro é importante dizer que em média eu consigo fotografar em um céu bem escuro, boa transparência e bom seeing na Chapada dos Veadeiros. Portanto é razoável assumir que posso trabalhar com uma escala de pixel menor.  Para achar minha escala de pixel usei:

Escala = (Tamanho_do_Pixel / Dist Focal) * 206.3

Para o refrator a escala foi de 2.81 arcsec/px e para o C8 (1.05 arcsec - Canon 6D e redutor,  0.57arcsec/px para QHY5R II). O sistema de guiagem fica com uma escala de 6.83 arcsec/px.

Com esse sistema de escala para planetária acabo precisando usar uma barlow de 2.5x para trabalhar adequadamente com comprimentos de onda na faixa de 475-650nm, já que o comprimento focal do C8 não é tão longo assim, diminuindo muito o campo de visão.

Dist Focal = [(Abetura x Tamanho_do_Pixel)/(comprimento_de_onda * 1.22)] * 3

Ainda no campo de planetárias, com essa QHY não consigo velocidade de captura em resolução maiores. Limitando a no máximo 100 FPS.

Voltando a atenção para astrofotografia de céu profundo observei o FWHM usando o refrator 80mm e gira por volta de 5-7" o que julgo como alto e a excentricidade das estrelas no centro do campo de visão não são melhores que 0.5. Portanto são dois parâmetros que podem ser melhorados.

Adicionalmente, o sistema de guiagem tanto para o C8 como para o Apocromático podem ter uma resolução mais próxima do sistema primário de captura. O que acredito que irá minimizar o erro durante a guiagem.

Para finalizar, o ruído apresentado pela minha Canon 6D modificada (sem filtro IR) era alto para frames >300s, tornando o processamento das imagens mais custoso do que eu acredito que possa ser.

Levando todos esses fatores em consideração decidi por fazer as seguintes mudanças no equipamento:

  • A QHY5R II será substituída por uma ZWO 224MC
  • O GuideSpoce Orion 169mm será substituído pelo ZWO GuideScope 280mm
  • A Canon 6D mod será substituída pela ZWO ASI 2600MC

A próxima temporada promete!

Céus limpos a todos!

Monday, October 19, 2020

Meteorito Lunar NWA 5000

 Esse é um pedacinho da Lua que coleciono, chegou por um colecionador da França. Acho que esse meteorito lunar é um dos mais bonitos que já vi devido a sua textura e coloração. Me remete sempre as observações lunares que faço.

Esse acondrito é proveniente das camadas mais superficiais da Lua, provavelmente se desprendeu do corpo parental depois de um impacto, e foi encontrado em 2007 no Marrocos. O material contido nesse meteorito é o mesmo presente na época  da formação do sistema solar, segundo as análises possui 3.2 bilhões de anos, e foi sofrendo diferenciação.


Esse é um dos 89 meteoritos lunares reconhecidos e o segundo maior com massa total de aproximadamente 11kg. Curiosamente nenhum deles caiu em solo brasileiro, nem mesmo no continente latino.

Friday, October 9, 2020

Meteorito de Santa Filomena - PE

Em meados de Julho e Agosto de 2020 foram observadas três chuvas de meteoros na região de Santa Filomena - PE. Esse evento é raro por ter ocorrido tantas vezes em pouco tempo em uma mesma região e também por ter ocorrido em área urbana/povoada. A maior parte dos meteoros que tocam a superfície do nosso planeta acabam no fundo dos oceanos ou em áreas não habitadas, tornando mais difícil encontra-los.

A chuva de meteoros chamou a atenção de todo o mundo, muitos pesquisadores e colecionadores lotaram a pequena cidade de 7mil habitantes dando inicio a uma verdadeira "corrida ao meteoro". Meteoritos chegaram a ser vendidos por centenas de milhares de reais em um mercado improvisado no posto de combustível da cidade. O grama inflacionou rapidamente e esse se tornou um meteorito caro. Além dessas questões financeiras, o Santa Filomena levantou questões sobre a venda e propriedade desses objetos.

É importante dizer que não uma legislação específica no Brasil sobre o comercio desse tipo de artefato, prevalece o modelo dos EUA que da posse ao bem ao cidadão que o encontrou.

Consegui meu exemplar, é um Condrito Ordinário H. Os meteoritos Condritos são da época da formação do sistema solar, possuem aproximadamente 4 5 bilhões de ano. São chamados assim pois são formados por grânulos metais e minerais que existiam na época da formação do sistema solar e não sofreram modificações desde então.

Esse meteoritos são classificados de acordo com sua composição, principalmente na quantidade de Ferro-Níquel e de material orgânico.


Eles se formaram quando o Sol era ainda uma estrela jovem originado pelo colapso de uma nebulosa solar, envolto por um disco protoplanetário de gás e poeira. Toda essa matéria então começou a se aglutinar pela ação da gravidade - acreção - e mudanças de temperatura. Os menores deram origem aos asteróides e cometas, ja 9s mairoes detam origem a astros como os Planetas. Acredita-se que aqueles astros quo foram se formando mais longe do Sol, a medida que ganhavam massa atraíram os gases ali presentes e deram origem aos planetas gasosos. Os que estavam mais próximo ao Sol, com ausência menor de gases voláteis e mais silicatos deram origem aos planetas rochosos.

Portanto, meteoritos são importantes pois contam detalhes de como nosso sistema solar se formou, são verdadeiras caixas pretas vagando pelo espaço repletas de informação sobre o sistema solar primordial.


Essa crosta escura e em formato arredondado se formam em geral pela.passagem pela atmosfera terrestre.

Sunday, September 13, 2020

A constelação de Órion

A constelação de Órion talvez seja uma das "regiões" do céu noturno mais conhecidas entre os brasileiros, é nela que se encontram as famosas estrelas três Marias (Mintaka, Alnilam e Alnitak). Órion vem da mitologia grega, era um gigante caçador que foi posto entre as estrelas após morrer lutando contra um escorpião, que também foi posto no céu e deu nome a constelação de Escorpião.


Apesar de ter recebido esse nome. padronizado internacionalmente, outras civilizações tinham visões diferentes dessa região. Os indígenas por exemplo ilustravam a constelação Homem Velho.


Nessa constelação é possível encontrar, na minha opinião, alguns dos objetos de céu profundo mais bonitos: Nebulosa de Órion (M42), Nebulosa Cabeça de Cavalo e a Nebulosa M78.

Minha segunda empreitada atrás da Nebulosa de Orion também não foi muito proveitosa, consegui apenas um frame antes da energia acabar em um céu rural no sul goiano.




Wednesday, August 26, 2020

Jupiter e Saturno

Agosto desse ano tem sido um mês diferente, logo após minha sessão de astrofotos na Chapada dos Veadeiros, que já não rendeu muito dada a grande nebulosidade, veio uma grande frente fria que foi se desfazendo e levando também embora as nuvens. Resolvi então montar meu SCT8 e câmera QHY5II, para fazer umas fotos planetárias. Segue o registro de dois gigantes gasosos do nosso sistema solar.

Update: Astrofotos foram atualizadas por versões melhoradas após recaptura.

Jupiter foi descoberto no inicio do século XVII por Galileu, porém como os outros planetas visíveis da Terra são observados desde o início da humanidade. Jupiter é especialmente fácil de identificar até mesmo nos céus das grandes cidades por ter um grande brilho aparente. Assim como os outros planetas, tem uma trajetória conhecida. A Ecliptica.
A pequena mancha que pode notada na foto no hemisfério sul de Jupiter é uma enorme tempestade na sua atmosfera gasosa. Apesar de parecer pequena, essa manchinha é maior que o nosso planeta.



Saturno, o planeta gasoso mais distante da Terra que pode ser observado a olho nú, também foi descoberto no inicio do século XVII por Galileu. Naquele instante já foi possível saber que haviam anéis ao entorno da sua enorme atmosfera gasosa, como comprova os primeiros desenhos de Galileu. Só mais tarde com algumas expedições da NASA foi possível entender melhor do que eram formados esses anéis, detritos de astros (asteróides, luas, etc). É possível observar na foto que sua atmosfera cria camadas de coloração diferentes, proveniente de diferentes gases e turbulências atmosféricas.



Céus limpos a todos!

Sunday, August 16, 2020

E assim termina a temporada

 Esse ano todos nós podemos dizer que foi muito difícil, para alguns só atípico. Mas o fato é que foi possivel viver novas experiências ou dar novo significado para as antigas sensações. Foi nesse ano que o propósito da astrofotografia para mim se tornou realidade, quando pude reunir minha família sob as estrelas, poder contemplar a beleza do cosmos com meus meus filhos e mesmo que o sono não permita, sei que estão logo ali explorando o universo em seus sonhos.
Foi assim que para mim terminou essa temporada 2020. Finalizo como tudo começou, apenas um tripézinho, uma câmera e uma lente revelando a beleza que temos sobre nós.

LIGHT: 1 x 20s, ISO 6400, 16mm, F2.8

Nebulosa do Véu (Oeste)


Esse é o resultado trágico da morte de uma estrela. A nebulosa do Véu é um SNR ou remanescente de supernova. Uma formação de gás e poeira cósmica deixados pela explosão violenta de uma estrela de grande massa. Trágico, porém belo! Para mim uma das nebulosas mais bonitas. Esse é o lado oeste, tentarei trazer o restante desse belo SNR no futuro!


LIGHTS: 28 x 300s, ISO 1600, Apo 80mm

Novidades para a próxima temporada e as razões

Enquanto a chuva predomina por aqui na região resolvi avaliar a possibilidade de melhorias no equipamento para a próxima temporada em 2021. ...